Evolução 1. Da Grécia Antiga à Seleção Natural.

A idéia de que as espécies mudam com o tempo pode ser traçada desde pelo menos até a Grécia Antiga. O filófoso grego Anaximandro, que viveu no século 6o antes de Cristo, defendia que os animais provinham de um ambiente úmido e que o homem evoluiu de um peixe.

Bem mais tarde, já no século 18, a noção de evolução foi retomada por alguns pensadores e naturalistas, como o inglês Erasmus Darwin e o francês conde de Buffon. O primeiro a desenvolver um sistema mais consistente nessa linha de pensamento foi o também francês Jean Baptiste de Lamarck. Mas somente com os trabalhos desenvolvidos independentemente por Charles Darwin - neto de Erasmus - e Alfred Wallace, ambos naturalistas ingleses, uma explicação convincente para o processo de modificação das espécies foi desenvolvida: a seleção natural.

As bases da teoria da evolução por seleção natural, apresentada em 1858, são muito simples e têm um alcance muito amplo. São quatro os princípios por trás da teoria:

  1. Os organismos produzem mais descendentes do que os que irão atingir a fase adulta e se reproduzir (se todos os descendentes de um único casal de moscas fossem capazes de deixar seus próprios descendentes, em pouco tempo, toda a Terra estaria completamente coberta pelas moscas - isso só não ocorre porque apenas uma parte delas conseguem sobreviver até se reproduzir - raciocínio que vale para qualquer espécie de ser vivo);
  2. Os organismos de uma mesma espécie apresentam pequenas diferenças entre si. Em uma população natural de organismos vivos, pelo menos alguns indivíduos apresentam características que são diferentes das dos demais;
  3. Pelo menos parte da capacidade de sobreviver até deixar descendentes é determinada pela posse ou não dessas características variáveis;
  4. Pelo menos parte das características que influencia na capacidade de deixar descendentes pode ser passada dos pais para os filhos.
Cada um desses princípios pode ser verificado independentemente - seja em laboratório, seja na natureza. A conseqüência lógica da validade desses princípios é que as populações de organismos tenderão a mudar a proporção de suas características ao longo das gerações: aqueles indivíduos que possuem uma característica vantajosa, tenderão a deixar mais descendentes e, em sendo essa característica herdável, ela tenderá a se espalhar na população. Ao longo do tempo, a população tenderia a se diferenciar da população original, produzindo uma nova espécie. Se uma população se dividir em duas populações - cada qual sofrendo seu próprio processo de evolução - ao final poderemos obter duas novas espécies a partir de uma mesma população original.

Darwin e Wallace, no entanto, não foram capazes de elaborar uma explicação consistente para a origem da variedade, nem como as características passavam de uma geração a outra. Isso só seria alcançado com o desenvolvimento da genética e da biologia molecular.

[Texto publicado em áudio no Vestibucast da Folha de São Paulo/Agora São Paulo em 06/09/2006. Agradecimentos.]


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