Ecologia: Relações Ecológicas 2. Relações Harmônicas.

As relações harmônicas são aquelas em que nenhuma das populações envolvidas sofre diminuição do número de indivíduos - elas podem ou permanecer constante ou até mesmo aumentar, se comparmos com a situação em que essa relação não ocorre. Se considerarmos duas populações de espécies distintas, três situações podem ocorrer: a) ambas as populações são beneficiadas; b) uma das populações é beneficiada e a outra não é afetada e c) nas duas populações o efeito é neutro.

No caso em que ambas as populações são beneficiadas, se a relação é obrigatória - isto é, os indivíduos de pelo menos uma das espécies não são capazes de sobreviver ou de se reproduzir sem a relação - ela é chamada de mutualismo (como o caso de muitos líquens - uma associação formada por fungos com algas ou cianobactérias - e também entre bovinos e as bactérias de seu estômago que digerem a celulose dos alimentos, além de muitas espécies de plantas que dependem de polinizadores especializados e formigas que cultivam fungos específicos). Em muitos casos existem adaptações especiais envolvidas nessas relações - o estômago dilatado e dividido em câmaras nos bovinos, os nódulos nas raízes de leguminosas que recebem os fungos fixadores de nitrogênio, a flor em forma de longos tubos de algumas orquídeas polinizadas por mariposas de probóscide compridas... Se a relação não é obrigatória - como o caso da relação entre um bernardo-eremita e as anêmonas que ele pode usar como camuflagem (tanto o crustáceo se beneficia com a camuflagem e do afastamento de predadores pelas células urticantes das anêmonas, como estas se beneficiam com o deslocamento do crustáceo e dos restos alimentares - mas ambos podem viver separadamente) - a interação pode ser chamada de protocooperação.

Quando uma das populações se beneficia da relação e a outra não sofre prejuízos (mas também não recebe benefícios), isso pode se dar por duas principais razões: moradia e alimentação. O caso em que um organismo consegue um abrigo ou um local para se desenvolver em função de sua relação com outro organismo, sem prejudicá-lo, recebe o nome de inquilinismo: orquídeas e bromélias podem crescer sobre troncos e galhos de árvores (um inquilinismo também chamdo de epifitismo e epibiose) e aves que nidificam sobre plantas são duas dessas situações. Quando a relação envolve a obtenção de alimento pela espécie beneficiada, diz-se que há comensalismo: por exemplo, o besouro esterqueiro que utiliza o esterco de animais como alimento para suas larvas. Outras relações podem envolver tanto abrigo como alimento, como anelídeos do gênero Polydora que vivem nas conchas utilizadas pelos bernardos-eremitas. Algumas podem envolver o transporte - sementes de plantas e pequenos animais que são transportado nos pés de aves e nos pêlos dos mamíferos - ou alarmes contra predadores - zebras e outros herbívoros que se beneficiam do alerta das girafas.

[texto publicado em áudio no Vestibucast da Folha de São Paulo/Agora São Paulo em 11/10/2006. Agradecimentos.] 


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