Ecologia: Relações Ecológicas 2. Relações Desarmônicas. As relações chamadas desarmônicas são aquelas em que pelo menos uma das populações sofre um efeito negativo - isto é, seu número de indivíduos diminui em relação à situação em que não há a interação.

Quando as duas populações são prejudicadas, caracteriza-se a competição. Normalmente isso ocorre quando as duas populações exploram um mesmo recurso disponível em quantidades limitadas - como espaço ou alimento. Plantas em florestas podem competir pela pouca luz que penetra o dossel formado pelas copas das árvores mais altas, podem competir pelos nutrientes do solo. Nem sempre o recurso será usado do mesmo modo pelos competidores: certas formigas e preguiças podem competir pela exploração das umbaúbas. Enquanto as formigas usam a planta como moradia - utilizando os espaços que se desenvolvem nas bases dos espinhos - as preguiças alimentam-se das folhas.

No amensalismo uma das populações sofre um efeito neutro da relação. Por exemplo, a relação entre populações de mamíferos e a das plantas que são pisoteadas em sua passagem - os mamíferos não são nem beneficiados nem prejudicados com o pisoteamento, enquanto a população de plantas é prejudicada.

Se uma das populações é beneficiada em detrimento de outra poderemos ter tanto a predação quanto o parasitismo. Na predação, os indivíduos da população que sofre o efeito negativo, a presa, são mortos para que os indivíduos da população beneficiada, o predador, possa obter o recurso - freqüentemente na forma de alimento. Exemplos de predação são bastante conhecidos, incluindo a predação de insetos e pequenos vertebrados por plantas insetívoras, a predação de peixes por jacarés e de veados por onças. No caso do parasitismo, a vítima, chamada de hospedeiro, em geral não é morta diretamente pelo parasita. Também são bastante conhecidos os casos de parasitismo: incluindo o de diversos parasitas de importância sanitária - lombrigas, tênias, entamebas, vírus da dengue, vibrião do cólera, etc. -, veterinária - como as larvas da mosca-varejeira (a berne), o vírus da raiva e da aftosa - e agrícola Ecipó-chumbo, erva de passarinho, pulgões, gafanhotos, e vários outros. Um caso interessante de parasitismo é o de aves como o cuco, cujas fêmeas botam ovos nos ninhos de outras espécies para serem chocados por outras aves. Parasitas que vivem no interior do organismo ou na luz de seu tubo digestivo e do trato respiratório são chamados de endoparasitas, os que vivem no lado de fora do organismo (sobre a pele, por exemplo) são chamados de ectoparasitas. Uma forma especial de parasitismo é o escravagismo: certas espécies de formigas atacam formigueiros de outras espécies, matam os adultos e capturam os jovens, que utilizam para cuidar de seu próprio ninho. Existe um contínuo de relações entre os casos de parasitismo e predatismo, um caso intermediário é o chamado pseudoparasitismo. Os pseudoparasitas, também chamados de parasitóides, depositam seus ovos no interior do organismo hospedeiro, onde as larvas crescem e terminam por matar o organismo dentro do qual se desenvolvem.

[texto publicado em áudio no Vestibucast da Folha de São Paulo/Agora São Paulo em 25/10/2006. Agradecimentos.] 


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