Ecologia: Relações Ecológicas 5. Na Natureza as Relações São Dinâmicas e Complexas.

As classificações das relações ecológicas não são estanques. Elas podem mudar de acordo com as circunstâncias do ambiente. Muitos microorganismos vivem no organismo humano sem causar problemas, mas em certas situações, como quando ocorre um enfraquecimento do sistema imunológico do hospedeiro, esses microorganismos podem proliferar a ponto de provocar doenças - o quadro do Aids é comumente associado com as chamadas doenças oportunistas, que se encontra nessa situação. Se uma seca prolongada afeta uma região, um predador pode passar a atacar presas que normalmente não atacaria. Predadores como onças podem passar a atacar os animais de criação, ao terem suas presas habituais desaparecidas pela caça promovida pelos seres humanos, pela destruição dos locais de abrigo e de alimentação, por envenenamento por poluentes.

O dinamismo das relações se dá também ao longo das gerações por meio da coevolução. Na coevolução, duas ou mais populações evoluem desenvolvendo adaptações que respondem às adaptações uma das outras. Presas mais rápidas e ágeis podem ser selecionadas ao predadores tenderem a caçar as mais lentas. Em contrapartida, predadores mais rápidos e ágeis podem passar a ser selecionados com uma população de presas mais velozes. Uma corrida armamentista pode se instalar até o limite físico possível das adaptações. No caso de polinizadores, as flores podem de geração a geração se tornarem mais atrativas para um polinizador específico, evitando outros polinizadores - a vantagem seria que os polens chegariam com mais eficiência às outras flores da mesma espécie, em vez de serem perdidas no meio do caminho enquanto o polinizador visita flores de outra espécie - enquanto o polinizador pode também sofrer adaptações evolutivas de modo a se especializar - passando a ter uma fonte exclusiva de recursos como o néctar, sem precisar dividir com outros polinizadores. Uma relação de parasitismo pode, durante a evolução, passar a uma relação de cooperação - hospedeiros capazes de se aproveitar dos recursos do parasita - como subprodutos de seu metabolismo - podem ser selecionados, tirando proveito também da situação - e vice-versa: organismos hóspedes podem passar a evitar o aproveitamento de seus recursos pelo hospedeiro, tendo como vantagem a diminuição de custo na relação.

Além da mudança das relações ao longo do tempo, do espaço e das gerações, na natureza elas formam uma rede intrincada na qual nem sempre vale a máxima "o amigo de meu amigo é meu amigo - uma planta pode se beneficiar da predação dos pássaros sobre seus parasitas e os insetos polinizadores dessa mesma planta podem ser prejudicados pelas mesmas aves que as predem também.

[texto publicado em áudio no Vestibucast da Folha de São Paulo/Agora São Paulo em 09/11/2006. Agradecimentos.] 


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