Ecologia: Relações Ecológicas 6. Usos e Influência Humana.

Os seres humanos como todos os seres vivos não vivem isolados do ambiente. Eles influenciam e são influenciados, interagindo tanto com os fatores abióticos como com os fatores bióticos.

Os seres humanos têm utilizado muitas dessas relações em seu benefício. Não apenas em relações diretas com a domesticação e exploração de espécies, mas também de modo indireto Epolinizadores de plantas cultivadas, predadores e parasitas de espécies prejudiciais aos humanos, organismos que fertilizam o solo e despoluem o ambiente, etc. Alguns economistas estimaram que os serviços prestados pelos insetos para a economia americana equivalem a algo em torno de 57 bilhões de dólares anuais - 3 bilhões apenas com a polinização. Esses são os valores que necessitariam ser gastos para se substituir as ações dos insetos por processos artificiais.

Por outro lado, os seres humanos têm também alterado o equilíbrio das relações existentes de diversos modos - em muitos casos, de maneira altamente prejudicial para a maioria das espécies, incluindo os próprios seres humanos. Ao longo da história, novas espécies têm sido introduzidas de modo voluntário e involuntário nos ambientes em os humanos vivem ou com os quais mantêm contato próximo Eessas espécies podem trazer doenças para as quais indivíduos das espécies nativas não têm defesas, podem competir com eles ou predá-los. Uma palmeira africana do gênero Acanthophoenix foi introduzida no Brasil com fins ornamentais, mas tem invadido as áreas de mata nativa e eliminado por competição as demais palmeiras. Na Austrália, o sapo cururu foi introduzido com a intenção de predar besouros involuntariamente levado para lá, mas além de não desempenhar o papel planejado, espalharam-se eliminando as espécies nativas de anfíbios e envenenando os predadores nativos como as cobras.

A destruição dos ambientes e a caça e extração direta de animais e plantas também tem afetado seriamente a teia de relações. Diversas plantas são polinizadas por uma única espécie, a destruição do ambiente pode eliminar os polinizadores e, em conseqüência, a espécie polinizada - de modo inverso, a eliminação da planta da qual a espécie polinizadora dependa de modo exclusivo, leva à sua extinção também. A eliminação de um elemento da cadeia alimentar afeta todo o resto da cadeia - acima e abaixo: lontras-marinhas foram intensamente caçadas na América do Norte devido à sua pele, a diminuição de sua população levou à diminuição da população de orças - suas predadoras - e a uma explosão da população de ouriços-do-mar, que são predados pelas lontras-marinhas; o aumento brusco de ouriços-do-mar levou a uma severa diminuição da população de algas kelps, que servem de alimento para os ouriços. Alterações ambientais parecem que têm feito que tubarões passem a atacar banhistas com mais freqüência nas praias pernambucanas - ainda não está totalmente claro se isso se deve a uma diminuição da disponibilidade de presas ou se os tubarões deslocaram sua área de procriação e de caça para locais mais próximos à área utilizada pelos banhistas e surfistas.

[texto publicado em áudio no Vestibucast da Folha de São Paulo/Agora São Paulo em 22/11/2006. Agradecimentos.] 


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