Efeito da intensidade luminosa sobre a germinação do feijão

Risco: Dificuldade: Custo:
nível 1 (alunos a partir de 5 anos com supervisão, 10 anos sem supervisão) Teoria: nível 3 (alunos a partir de 10 anos - correlação, causa e efeito) muito baixo (até 1% de salário mínimo)
  Execução: nível 1 (alunos a partir de 5 anos com supervisão, 10 anos sem supervisão)  

Objetivo:
Verificar a influência da luz sobre a germinação de sementes de feijão.

Material:

  • 12 sementes de feijão
  • 3 copos plásticos descartáveis de 200 ml
  • 1 rolo de papel higiênico (sem perfume)
  • água
  • tampinha plástica de garrafa PET para medida ou o equivalente a 3 colheres de sopa
  • Montagem e procedimentos:

  • Separar 4 picotes de papel higiênico (dimensões aproximadas de 10 cm x 10 cm) para cada copo plástico.
  • Dobrar os picotes ao meio duas vezes.
  • Forrar o fundo dos copos com 3 picotes dobrados. Pressionar levemente sem compactar o papel.
  • Encharcar os picotes dos copos com aproximadamente uma medida de água.
  • Depositar com cuidado - sem compactar - o picote restante sobre o papel encharcado. Deve apenas tocar o papel molhado no fundo do copo e deixar que a capilaridade umedeça o picote.
  • Colocar 4 sementes sobre o papel em cada copo.
  • Figura 1. Feijões sobre papel umedecido. Aspecto do experimento montado.

    Colocar um dos copos em local sem iluminação - por exemplo, dentro de armário -, outro em local com iluminação natural - próximo à janela - e o terceiro copo em local com iluminação artificial. Acompanhar por uma semana. (Eventualmente pode ser necessário umedecer o papel após alguns dias.)

    Após sete dias, verificar o estado de germinação das sementes.

    Resultados:
     

    Regime A Regime B Regime C
    Figura 2. Resultado do experimento de germinação de sementes de feijão para três regimes diferentes de iluminação. Observe as diferenças nos estados de germinação. Tempo: sete dias após o início do experimento.

    Vários parâmetros podem ser comparados: porcentagem de germinação, comprimento médio das plântulas, massa média das plântulas e outros.

    Discussão:
    As diferenças nos regimes de iluminação - muito baixa, artificial e natural - corresponderam a diferenças no estado de germinação. (Propositadamente deixaremos em aberto qual regime corresponde a que estado de germinação.)

    Observe-se a coloração esverdeada nas plântulas do regime B e a coloração esbranquiçada das do regime C.

    Essa característica de germinação de acordo com o regime de luz pode ser pensada em termos de vantagem adaptativa?

    Elementos para discussão: estiolamento, fitocromo, embebição, dormência, fotossíntese, clorofila, moyashi.

    Variações e observações:

  • Copos de 200 ml podem ser substituídos por copos descartáveis de café - 50 ml - ou outros recipientes. A quantidade de sementes pode variar com o tipo de recipiente. (Naturalmente usar o mesmo tipo de recipiente para todos os regimes.)
  • Nesta demonstração foi realizada apenas uma réplica por regime, convém fazer mais réplicas para se diminuir a possibilidade de desvios por variáveis não controladas - pelo menos umas 5 réplicas por regimes.
  • O papel higiênico pode ser substituído por algodão, areia, cascalho, vermiculita ou outro substrato. Mas as sementes não devem ficar enterradas.
  • Mais regimes de iluminação podem ser utilizados - controlando-se melhor as intensidades luminosas e os fotoperíodos.
  • Outras sementes podem ser utilizadas: milho, laranja, alpiste, abacate (necessitando, claro, recipiente maior), etc. Algumas sementes necessitam de tratamento especial para quebra de dormência.
  • Uma comparação interessante a se fazer é em relação ao comportamento de germinação de sementes de plantas pioneiras e climáxicas frente aos regimes diferenciados de luz.
  • Leituras para aprofundamento:

  • Araújo Neto et al. 2003 - Efeito da temperatura e da luz na germinação de sementes de Acacia polyphylla DC. Revista Brasileira de Botânica 26(2): 249-56. [ver]
  • Bittencourt et al. 2004 - Controle da hidratação para o condicionamento osmótico de sementes de aspargo. Revista Brasileira de Sementes 26(2): 98-104. [ver]
  • Ferraz-Grande et al. 2006 - Efeitos da luz, temperatura e estresse de água na germinação de sementes de Caesalpinia peltophoroides Benth. (Caesalpinoideae). Bragantia.65(1): 37-42. [ver]
  • Klutcouski & Aidar 2004 - Produção de sementes sadias de feijão comum em várzeas tropicais. Embrapa Arroz e Feijão Sistemas de Produção (4). [ver]
  • Scappa Neto et al. 2001 - Efeito do teor inicial de água de sementes de feijão e da câmara no teste de envelhecimento acelerado. Sci. agric. 58(4): 747-51. [ver]
  • Shioga et al. 1998 - Controle da hidratação das sementes e desenvolvimento inicial de plântulas do feijoeiro. Sci. agric. 55(1): 8-14. [ver]

  • versão 1.0 - 28/09/2006. © BioMagister.com/ Feira de Ciências - este material pode ser utilizado livremente para propósitos educacionais sem fins lucrativos, bastando citar a fonte.